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Depressão: Electroconvulsivoterapia

Publicado a 01/12/2012

O essencial sobre Electroconvulsivoterapia (E.C.T.) um folheto para si e para a família

Este folheto destina-se a dar resposta a algumas das dúvidas que possa ter sobre a ECT. Desejará saber o que é a ECT, para que é que se utiliza, o que se sente com o tratamento e quais os riscos e vantagens.

Quando se está deprimido é por vezes muito difícil conseguir concentrar-se. Não fique preocupado por não conseguir ler todo o folheto. Tente ler apenas as partes mais importantes para si neste momento, e, mais tarde, aborde outras. Podem ser-lhe úteis para formular perguntas à equipa, à família ou a outros doentes.

Para que é que serve a ECT?
A maioria das pessoas que fazem ECT sofrem de depressão. Embora haja tratamentos medicamentosos para a depressão, alguns doentes não recuperam totalmente e outros demoram muito tempo a recuperar. A ECT é utilizada muitas vezes para esses doentes. Em casos graves de depressão a ECT pode ser o melhor tratamento, ao ponto de salvar vidas em grave risco.

Porque é que a ECT me foi  recomendada?
A ECT é indicada por muitas razões. As mais frequentes estão listadas em baixo. Se não está muito seguro das razões porque é que lhe prescreveram ECT não tenha medo de perguntar porquê. Por vezes é difícil lembrar-se das coisas quando se está deprimido, por isso poderá ter de repetir as perguntas várias vezes.
A ECT é utilizada principalmente para o tratamento da depressão grave.

  • Pode ser muito útil se não melhorar com os medicamentos antidepressivos
  • Pode ser de grande ajuda se não poder tomar antidepressivos devido aos seus efeitos colaterais
  • Pode ser aconselhável se tiver melhorado muito com a ECT anteriormente
  • Pode ajudar se se sentir tão arrasado pela depressão que se sente totalmente incapacitado para a vida

O que é que acontece de facto quando fizer a ECT?
Para o tratamento será conveniente vestir uma roupa leve. Irão pedir-lhe para retirar as suas jóias, e os dentes postiços, se os tiver.
O tratamento decorre numa sala separada e demora apenas alguns minutos. Os outros doentes não irão vê-lo a fazer o tratamento. O anestesista pedir-lhe-á para dar o braço, de modo a que lhe seja administrado um anestésico injectável. Irá produzir-lhe sono e o relaxamento completo dos seus músculos. Ao adormecer fará uma respiração com oxigénio. Depois, uma pequena corrente eléctrica irá ser aplicada na sua cabeça, produzindo uma leve descarga no cérebro. A injecção relaxante da anestesia impede que haja mais do que um pequeno abalo no corpo. Quando despertar regressa à sala de espera.

O que é que acontece antes do tratamento?
A ECT é aplicada com um anestésico. É obrigatório o jejum (não beber nem comer) a partir da meia noite da noite que antecede o tratamento. Não pode tomar o pequeno almoço na manhã em que faz a ECT.

Como é que me irei sentir logo a seguir à ECT?
Algumas pessoas despertam sem nenhuns efeitos colaterais, com uma sensação de grande tranquilidade. Outras poderão sentir-se um pouco confusas ou com dor de cabeça. Uma enfermeira estará ao seu lado para o apoiar no que for necessário.

Como funciona a ECT?
Durante a ECT uma pequena corrente eléctrica é enviada para o cérebro. Esta corrente produz uma convulsão que afecta todo o cérebro, incluindo os centros que controlam o pensamento, o humor, o apetite e o sono.
A repetição dos tratamentos altera as mensagens químicas no cérebro e normaliza-as. Isso ajudá-lo-á a começar a recuperar da sua doença.

Qual é a eficácia da ECT?
Oito em cada dez doentes deprimidos que estão a fazer ECT melhoram significativamente, o que torna a ECT o tratamento mais eficaz para a depressão grave. As pessoas que melhoraram com ECT dizem que voltaram a ser como eram e que a sua vida voltou a valer a pena ser vivida.
Doentes que sofreram graves depressões tornam-se optimistas de novo, com um risco de suicídio menor. A maioria dos doentes recuperam a sua capacidade de trabalhar e de levar uma vida produtiva depois do tratamento com ECT.

O que é uma série de ECT?
A ECT é habitualmente administrada duas a três vezes por semana. Não é possível saber antecipadamente de quantos tratamentos irá necessitar. Algumas pessoas melhoram com apenas duas ou três sessões, outras necessitarão de doze e, ocasionalmente, de mais ainda.

O que não se deve esperar da ECT?
Os efeitos da ECT aliviam os sintomas da sua depressão mas não resolvem os seus problemas. Uma crise de depressão pode produzir problemas nas relações com os outros, em casa ou no trabalho. Esses problemas continuarão a existir no fim do seu tratamento, carecendo de ajuda para os resolver. Pelo facto de estar muito melhorado da depressão será capaz de os enfrentar com outra resolução.
Por outro lado, depois de melhorar da crise não deverá pensar que está curado da doença. De acordo com o seu médico deverão manter-se medicações para estabilizar o humor e prevenir novas crises.

Quais são os efeitos colaterais da ECT?
Alguns doentes podem ficar um pouco confusos depois de despertarem do tratamento, ficando bem ao fim de uma hora mais ou menos. A sua memória para factos recentes pode ficar alterada, dificultando a recordação de nomes, moradas, telefones e acontecimentos públicos. Em geral, a pessoa recupera ao fim de alguns dias ou semanas, mais raramente ao fim de meses. A ECT não tem efeitos a longo prazo na sua memória ou na sua inteligência.

O tratamento envolve algum risco grave?
A ECT está entre os tratamentos médicos praticados com anestesia geral mais seguros. O risco de lesão grave ou fatal é muito baixo, de cerca de um caso em 50 000 tratamentos, o que está abaixo do que se verifica para o parto. Os problemas cardíacos são o maior factor de risco. Mas mesmo em caso de sofrer de doença cardíaca poderá ainda assim fazer ECT com especiais precauções tais como a monitorização cardíaca, após um conveniente aconselhamento por um cardiologista.

Quais os tratamentos alternativos?
Os medicamentos antidepressivos podem ser eficazes no tratamento da sua doença e podem resultar tão bem como a ECT. Competirá ao seu médico a avaliação e proposta de tratamento.

Posso recusar a ECT?
Na fase prévia ao tratamento, o seu médico irá pedir-lhe para assinar o seu consentimento para a ECT. Se o assinar estará a dar o seu acordo para uma série de tratamentos (habitualmente seis).

Tenho que dar o meu consentimento?
Antes de assinar o consentimento o seu médico deve explicar-lhe o que é o tratamento e as razões por que lho recomenda, respondendo a quaisquer  perguntas que queira fazer. Pode recusar a ECT ou retirar o seu consentimento em qualquer fase. O consentimento informado não é um documento legal e não o obriga a fazer o tratamento. É apenas um registo de que lhe foi prestada a necessária informação sobre o tratamento e de que o aceita para seu benefício. A sua recusa nunca o impedirá de continuar a beneficiar do direito às melhores alternativas terapêuticas.

Há algum risco em não fazer a ECT, tal como me foi recomendado ?
Se escolher não aceitar a recomendação do seu médico em fazer o tratamento com ECT, pode sofrer, por isso, um período mais longo de doença grave e incapacitante. A alternativa é o tratamento com medicamentos, que também envolve riscos e complicações, e não é necessariamente mais seguro que a ECT.




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