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Demi Lovato: Mais forte do que nunca

Publicado a 24/09/2014

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“Nós podemos passar por tempos difíceis mas encontramos a nossa força!”

Artigo: Demi no seu canto
Demi Lovato personal coach? Esse é o sentimento que vem através das páginas de Staying Strong: 365 Days a Year (Feiwel & Friends, 2013), o seu livro de frases e conselhos motivacionais.
Pouco depois do seu lançamento, em Novembro, o livro entrou na Lista de Livros mais vendidos da New York Times, passando para o número 1. O volume que aborda questões acerca da auto-ajuda pode ser consultado diariamente. De cada vez que se abre o volume aparece uma citação inspiradora, de meditação, ou uma “moral” que Lovato considera que nalgum momento foi útil na sua própria jornada de recuperação, além de ter como objectivo incentivar o progresso do leitor em rumo ao bem-estar.
Por exemplo, na página de 1 de Janeiro Lovato refere uma afirmação positiva e motivacional "Você é linda e maravilhosa" e inclui "Neste Novo Ano, conseguirá chegar a um equilíbrio que é apenas seu, assim todos os dias, que olhar para o espelho tem repetir isso para si mesmo”.
Na sua introdução, Lovato nota que "é importante ter algo que nos motiva, inspira e nos ajuda a sermos positivos e a seguir em frente." Missão cumprida.

Artigo: “The Mental Health Listening & Engagement Tour” - Demi Lovato na Comunidade de Defesa da Saúde Mental
A “The Mental Health Listening & Engagement Tour” é um novo tipo de tournée para Demi Lovato, uma artista premiada com disco de platina que vive com a patologia bipolar. Para apoiar a visão da comunidade de saúde mental e construção de uma nova geração de inspiração, informaram os defensores da saúde mental, Demi está a participar numa série de discussões com alguns dos principais defensores da nação sobre os desafios, que actualmente se colocam à comunidade. Ela também está a partilhar abertamente a sua experiência em eventos, a encorajar e inspirar outros com a sua própria história de resistência e de aprendizagem e convivência saudável com a doença mental.
“The Mental Health Listening & Engagement Tour” é suportado por Sunovion Pharmaceuticals Inc., como parte do compromisso contínuo da empresa em marcar a diferença na vida dos doentes e familiares com diagnóstico de doença mental.
Além de sua presença na conferência anual da Aliança de Apoio de New Jersey à Depressão e Bipolar (onde esteve com o Presidente Nacional da Aliança, Allen Doederlein), incluindo a gala anual da Fundação Jed em New York City; a Aliança Nacional sobre Doença Mental convenção nacional em Washington, DC; e conferência anual de Saúde Mental Américana, em Atlanta.

Como conseguiu enfrentar os desafios colocados pela doença mental?

Detentora de um disco de platina, Demi Lovato tem se apresentado como uma excelente profissional e esgotado bilheteiras. Poucos dias antes de fazer 22 anos, num sábado à tarde, Lovato numa pequena sala da Universidade Kean, em New Jersey, falou abertamente ao público sobre como conseguiu enfrentar os desafios colocados pela doença mental e como tem vindo a recuperar de forma positiva.

A apresentação fazia parte “The Mental Health Listening & Engagement Tour” apoiado pela Sunovion Pharmaceuticals Inc.

“A minha missão pessoal era partilhar com as pessoas a ideia de que existe vida no “outro lado”, e que elas não estão sozinhas", disse Lovato à Magazine.
Isto ainda é um pouco estranho para a artista de múltiplos talentos, cuja infância se centrou em todo o seu amor pela música e pela carreira. Criada no Texas, é cantora profissional desde os 10 anos de idade e o seu currículo inclui filmes da Disney, a sua própria série de TV da Disney e dois álbuns de sucesso.
Lovato conseguiu alcançar o sucesso, mesmo enquanto lutava para se adaptar e lidar com os problemas emocionais, uma vez que os mesmos a levaram a desenvolver distúrbios alimentares, ao abuso de substâncias e à auto-mutilação; este estado manteve-se durante algum tempo, hoje com melhorias significativas.
Muitos dos meus fãs também enfrentaram dificuldades semelhantes e por isso apreciam em mim a abertura que tenho em falar, "há tanta vergonha e mitos relacionados com a doença mental", reflecte Lovato "associando a tudo isto o medo… que sei que foi o que me impediu de procurar ajuda ".

Lovato teve o que ela chama de "colapso mental" em Outubro de 2010, altura em que entrou em tratamento numa clínica de reabilitação, aquando do diagnóstico de doença mental.
"Quando finalmente fui diagnosticada com doença bipolar, foi um alívio; permitiu-me pedir ajuda, compreender a minha depressão e as coisas erradas que eu estava a fazer para lidar com o que estava a acontecer".
Com uma maturidade que é de notar numa jovem adulta, Lovato empenhou-se para alcançar um estado de lucidez, encontrar o plano de tratamento correto, e adoptar hábitos que a ajudassem a manter o seu bem-estar. Desenvolveu esforços como defensora das pessoas com doença mental e consumo de substâncias (Lovato tem um histórico de angariação pública por prestar apoio a causas como a igualdade no casamento, os esforços anti-bullying e participação cívica dos eleitores latinos e jovens).
Lovato expôs os seus primeiros dias de recuperação num documentário chamado MTV Stay Strong, e publicou um inspirador bestseller Stay Strong: 365 Days a Year, como forma de ajudar outras pessoas a suprimir a sua dor, aquela que já tinha experienciado.
"Imagine a esperança que podemos transmitir através da criação de um apoio generalizado e ao mostrarmos ao mundo que é possível, mesmo nas alturas mais complicadas, sair por cima", disse ela.
Lovato é uma prova positiva de que é possível superar com dedicação e compromisso, as dificuldades que muitos dos fãs têm experienciado...

“Acho que eles apreciam a minha disponibilidade para me abrir… desde que recebi ajuda, tenho sido capaz de me realizar tanto a nível pessoal como profissional”.

Para além de se manter como jurada ao lado de Simon Cowell por duas temporadas no The X Factor, desempenhou papel de actriz na série como Glee. Lançou dois álbuns de estúdio Mais Hit R & B - Flavored e Unbroken Demi, uma compilação de electro-pop que fez sucesso não só no exterior, como também na América do Norte.
Os singles top daqueles álbuns incluem “Really Don’t Care,” “Neon Lights,” “Heart Attack,” “Skyscraper” (que ganhou o prémio da MTV - "melhor vídeo que transmitia uma mensagem”), e "Give Your Heart a Break”. Lovato também é conhecida pela versão pop de "Let it Go", música do filme de animação Frozen.
Depois de concluir a sua segunda turné norte-americana do ano, Lovato seguiu para o Reino Unido para uma turné com Enrique Iglésias.

"Ela faz a diferença ao contar a sua história, em vez de escondê-la, porque sabe que isso irá ajudar muitas pessoas."

A música ajudou Lovato a ultrapassar, aos poucos, os períodos menos bons pelos quais passou. Na música "Warrior" canta, por exemplo, "E agora eu sou uma guerreira, sou mais forte do que já fui... sou sobrevivente de todas as maneiras que possas imaginar”.
Os seus fãs dedicados, conhecidos como Lovatics, congratulam-na e transmitem-lhe força e apoio.
"Os meus fãs são incríveis, muitos deles também já passaram por dificuldades na vida e é por isso que eu acho que eles se identificam com a maneira com que falo sobre o meu problema", disse Lovato à revista BP.
Alysa Bainbridge viajou de Leesport, na Pennsylvania, para ouvir a exposição de Lovato acerca da sua doença bipolar, numa palestra em New Jersey. A doença de Bainbridge é estigmatizada pela sua família, daí que ela admire a coragem de Lovato em falar da sua doença, apesar do estigma que existe.
"Isso é o que eu mais gosto nela. Ela não tem medo", disse Bainbridge. "Ela faz a diferença ao contar a sua história, em vez de escondê-la, porque sabe que isso irá ajudar muitas pessoas."
Nessa sala de conferência da Universidade Kean, Lovato partilhou a sua história, de uma forma equilibrada, terra-a-terra e com humor. Ela subiu ao palco com um top de renda preto e uma saia, com o cabelo escuro (o ano passado tinha cortado o cabelo e pintado de louro e azul).
O seu testemunho fazia parte da conferência anual de New Jersey sobre a Depressão e Doença Bipolar. Ela conversou no palco com Allen Doederlein, Presidente Nacional do DBSA, durante quase uma hora:

Q: O que a fez perceber que precisava de ajuda?
R:
Foi preciso entrar em colapso mental para perceber que precisava de tratamento. Eu já tinha tentado uma série de vezes obter ajuda, mas só comigo e para mim, não através de medicação, não fiz qualquer outra coisa para mudar o meu comportamento. Essas tentativas nunca funcionaram porque eu nunca consegui conciliar as coisas que precisava de fazer para viver uma vida feliz e saudável.
O fundo do poço parece diferente para todos. Não significa necessariamente ter que chegar a uma ala psiquiátrica ou acabar internada, para encontrarmos a ajuda de que precisamos.
Para mim o fundo do poço foram várias coisas juntas - numa intervenção na presença dos meus amigos e familiares, a minha gestora e os meus advogados, dizerem “se não ficares orientada, deixamos de te apoiar", os meus pais estavam lá e disseram “se não ficares orientada, não podemos permitir que estejas próxima da tua irmã mais nova. Nós vamos voltar para o Texas". Este foi o momento em que eu percebi que afinal isto era sério. E comecei a interiorizar que não fui concebida para ser feliz. E, na verdade, eu pensei que era uma parte da minha "arte" [usando aspas no ar]. Isso é o que me fez ser profunda e artística, assim como Kurt Cobain e outros músicos e artistas com a doença. Eu percebi que a minha doença não me devia impedir de ser feliz. E não me devia definir, nem como sou enquanto pessoa, nem como artista.

Q: Falou sobre a auto mutilação e a auto medicação, sobre o consumo de drogas e álcool, distúrbios alimentares e sobre a doença bipolar. Esses factores fizeram sentir-se mais vulnerável?
R:
Absolutamente, em primeiro lugar, eu vejo todas essas questões como mecanismos para enfrentar o meu estado maníaco-depressivo, mas ainda assim, hoje, quando falamos de bipolar, existe um estigma em torno dele que as pessoas não entendem. Por alguma razão, é muito mais fácil para as pessoas falar sobre outro tipo de doença mental ou problemas de dependência. É mais fácil para as pessoas assumirem, “eu sou alcoólico; mesmo que isso seja difícil...para mim falar sobre a doença bipolar é, mesmo agora, um pouco desconfortável porque me faz vulnerável, estar aqui sentada e explicar que há algo de errado nos elementos químicos do meu cérebro, e que isso não quer dizer que eu seja louca”.
Eu sou um ser humano normal, com problemas como todos os outros, a minha "diabetes" (doença crónica) é a doença mental, quando eu faço terapia, quando eu tomo os meus medicamentos, para mim, esse é o meu plano de tratamento, que é a minha “insulina”.
Desde que recebo ajuda, tenho sido capaz de me realizar tanto pessoalmente como profissionalmente.

Q: Depois de sair do tratamento, como é que mantém o seu ritmo?
R:
A maneira que encontrei para manter o meu ritmo foi, sempre com a noção de que poderia perder a relação com a minha família a qualquer momento. Também estava a perder a capacidade de ser capaz de estar em palco, porque eu sabia que não podia manchar a minha imagem, a minha carreira e a minha reputação. Criei um hábito que era o de ter relacionamentos com aqueles que me ajudam a progredir, ter uma equipa honesta comigo, que me dizem o que eu preciso ouvir, mesmo quando eu não quero ouvir. Em noites de espectáculo, para lhes mostrar que estou a superar e a envolver-me totalmente, entrego o meu telemóvel, os meus cartões de crédito e as chaves do carro. Eu tinha um companheiro sóbrio – isto é, alguém que está comigo 24/7 – durante um ano. Estas foram as medidas que eu precisei de adoptar para me manter viva. E não estamos a falar de sobrevivência, estamos a falar de ir rejuvenescendo.
Aquilo que as pessoas vêem, do lado de fora, era uma jovem estrela pop de Hollywood ou da Disney. E eu era realmente muito boa a fingir. Na nossa sociedade se se deixar transparecer qualquer tipo de emoção somos considerados fracos. No entanto, eu acho que podemos mostrar, de verdade, a nossa força quando pedimos ajuda. Isto demonstra que temos confiança em nós e que dizemos “Está tudo bem, eu sei que preciso de ajuda. Qualquer um pode ser realmente bom em fingir a sua dor, mas isto deve ser algo que deve ser contrariado”.

Q: O que quer dizer com isso?
R:
Contrariar isto é fazer coisas por nós mesmos, mesmo quando não queremos fazê-las - ter de ir trabalhar quando preferia ficar a ver programas na televisão, ou ter de ir a um encontro dos Alcoólicos Anónimos mesmo quando eu não quero, porque estou cansada ou é o meu dia de folga. Quando eu não adopto medidas que contrariem essa inércia, no dia seguinte ou ao final desse mesmo dia, sinto que isso se reflecte até na minha medicação. Tenho que perceber que todas as pequenas coisas na minha vida têm que se conjugar formando o plano de tratamento mais adequado para mim.

Q: O plano de tratamento adequado pode ser duramente conquistado. Como é que encarou o plano de tratamento?
R:
Eu acho que encontrar o plano de tratamento adequado é uma viagem difícil e uma montanha russa carregada de emoções. Em média demora cerca de 10 anos para alguém com doença bipolar ser diagnosticada com precisão. Consigo determinar isto porque durante anos, eu sabia que alguma coisa em mim estava errada, e nunca me foi dito o que era, até o dia em que eu aderi a um plano terapêutico.
Mas o plano de tratamento adequado é uma combinação de coisas. É ver o que funciona e isso leva o seu tempo, mas não se pode desistir. No meu caso, o meu corpo teve de se adaptar a certos medicamentos e eu não sabia se eles iriam, de facto, resultar. Era uma questão de ir tentando e de não desistir imediatamente, para deixar o meu corpo se ajustar. Aceitação e consistência é a minha recuperação.

Q: É tão simples, mas é também tão complicado.
R:
É complicado tornar as coisas simples e simples é fazer as coisas complicadas.

Q: A ideia de se viver tudo isso quando se tem 21 anos, é a ideia de saber o que será quando tiver 40, 50 ou 70 anos - é impressionante.
R:
Independentemente de se ter 21 ou 65 ou 18 anos é uma bênção saber que posso pedir ajuda e que há esperança no tratamento. Às vezes isto leva a que pessoas de 50 ou 60 anos tenham um rasgo de consciência e de capacidade de mudança – para ter a experiência espiritual e a capacidade de sair do fundo do poço. Eu vivi muita coisa demasiado cedo e de forma muito repentina, uma vez que estava já em tratamento aos 18 anos em vez de ser aos 45. A doença mental não escolhe as pessoas com base na idade, no sexo, na raça, na naturalidade ou na etnia.

Q: Estou impressionado com o quão diferente, neste momento, é o público que participa nas conversas em torno da saúde mental. Impressiona-me a idade das duas primeiras filas [aplaudindo os fãs jovens], a exuberância e o ânimo. Isso é o que você, Demi, está a trazer para a comunidade de saúde mental. Porque nós não estamos apenas a falar de sobrevivência.
R:
Nós não estamos a falar de sobrevivência. Estamos a falar de ir rejuvenescendo.

Q: Estou a sentir-me muito entusiasmado pela forma como está a deitar tudo cá pra fora…
R:
 Eu estou entusiasmada por todos os que aqui estão hoje. Porque realmente acredito que a nossa futura geração vai ser constituída por pessoas que não têm esse estigma negativo associado à doença mental. Há um tempo atrás, as pessoas que foram vítimas de bullying escondiam-se, mas depois de se começar a exteriorizar o problema este veio dar asas a diversas conversas. As pessoas começaram, de facto, a ouvir e falar sobre o bullying e eu acho que foi muito porque a nossa geração tem alguma influência sobre os outros.
Outra razão pela qual eu sou capaz de estar hoje aqui sentada, a falar sobre saúde mental, é porque eu não me levo muito a sério. Eu percebo que quando eu falo sobre a doença não a levo tão a sério, tal como ela é. É uma doença muito grave. E mortal. Mas eu sinto que sou capaz de ser autêntica, honesta, e até brincar um pouco, colocando o estigma à distância.

Q: E o que nós estamos a criar - saúde mental.
R:
 Toda a gente nesta sala está a ajudar a criar, não importa a idade, quem é, ou de que raça ou espécies é [referindo-se ao cão de terapia na sala]. Não importa o tempo que nós estamos a falar sobre isto. O melhor de tudo isto é que as pessoas estão cada vez mais conscientes de como a saúde mental deve ser levada a sério, mas que também ela é comum, e que ao fim de contas pode ficar tudo bem.

Escrito por: Rachel Rabkin Peachman
Fonte: http://www.bphope.com/demi-lovato-stronger-than-ever




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