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Depressão Bipolar: Deixe a luz entrar

Publicado a 05/11/2015

O foco tem de estar naquilo que podemos controlar

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“não estou curado mas reduzi o sofrimento”

Jim, quando se sente em baixo, o único sítio onde quer estar é no sofá. Poderia ter outras opções, como arranjar a sua mota ou ir dar um passeio com a sua esposa, com os seus filhos ou com os seus cães. A estratégia que tem utilizado para lidar com a sua doença depressiva bipolar é distrair-se com tarefas que requerem movimento físico, mas refere “eu não posso dar muita enfase a uma coisa que para mim é muito difícil de fazer” refere em relação à sua falta de motivação generalizada, acrescentando “mas posso sentir a subida do humor”. Neste momento, considero que a depressão não é assim tão profunda nem tão escura... não estou curado mas reduzi o sofrimento”.

O residente em Indiana tem uma lista de formas de enfrentar a doença na qual aprendeu, pela primeira vez, na terapia que fez durante 5 meses, em 2001, quando teve um episódio depressivo, que a conduziu ao diagnóstico de Doença Bipolar tipo I.

Jim está orgulhoso de si mesmo, uma vez que é capaz de ser funcional mesmo com a sua depressão bipolar, marcada pela dificuldade de concentração e lentidão. Jim decidiu aos 53 anos voltar à escola mas com uma nova meta: assistente médico certificado (em que o trabalho é muito menos stressante do que o seu antigo cargo de administrador de sistemas de computador). Jim espera poder graduar-se em seis anos (mais quatro do que é requerido para concluir), uma vez que sabe que tem de gerir a sua patologia bipolar juntamente com os estudos, mas refere “Sinto-me bem com isso”.

Jim acrescenta “Ter um objectivo na vida faz com que nos levantemos de manhã” sendo que neste momento tem um papel activo na Aliança Nacional na Doença Mental e onde desempenha trabalha como membro facilitador em Grupos de Auto-Ajuda referindo “Em vez de continuar a dormir, eu vou para as aulas e estudo. Eu decidi que isso iria contribuir para que a minha vida melhorasse de forma contínua”.

Leia mais sobre a depressão bipolar, incluindo as estratégias que pode usar para o motivar a realizar tarefas – como a teoria do “bom o suficiente” e as escolhas das palavras que podem ajudar a construir o momento em que poderá libertar-se.

A patologia bipolar é mais fácil de diagnosticar durante os episódios maníacos, através da observação de comportamentos como falar demasiado rápido, envolver-se em novos projectos, apresentação de comportamentos de risco, etc. Sem haver uma elevação do humor clara, existindo sintomas como lentificação cerebral e física, isolamento e desesperança é difícil o diagnóstico, e muitas vezes, erradamente é diagnosticado como Patologia Depressiva Major.

Parte do problema reside no facto de que as pessoas que têm Patologia Bipolar passam, em média, mais tempo em estados depressivos do que em estados maníacos.

Os investigadores da Universidade de Califórnia em San Diego calcularam que o tempo que as pessoas com diagnóstico de Patologia Bipolar tipo II passam em estados depressivos em relação a estados de hipomania é de 40 para 1. Mesmo na Bipolar tipo I os mesmos investigadores também concluíram que a relação de depressão para mania é de 3 para 1.

Mesmo assim, existem variações individuais. Em determinadas pessoas o humor tende a oscilar mais entre a subida do que propriamente na descida ou que só existem episódios depressivos com o avançar da idade. Quando os episódios surgem num padrão sazonal a depressão pode cingir-se apenas a esse período e melhorar com o início da Primavera. Embora muitas vezes a mania seja ofuscada na depressão bipolar, esta pode ainda, criar alguns períodos de descompensação, sobretudo se é caracterizada por fadiga ou agitação, apatia ou irritabilidade, insónia ou sono excessivo, o “cão preto” como chamava à depressão o Winston Churchill, lidera a vida familiar e as relações sociais, faz com que seja difícil manter as suas responsabilidades no trabalho e/ou na escola e afasta-o das tarefas que anteriormente eram prazerosas.

Começar a partir do ZERO
Preso num ciclo de Depressão Bipolar, Joe de New Jersey, tinha deixado a sua casa em menos de duas semanas – aventurou-se em terapia semanal e em passar mais tempo na biblioteca. A sua terapeuta explicou que o aumento de qualquer tipo de actividade cria impulsos comportamentais para gerar mais actividade e com o passar do tempo há diminuição dos sintomas depressivos e um retorno a uma vida rotineira normal.

Foi aí que Joe decidiu ir até à praia referindo “Eu estabeleci uma pequena meta: ir para o mar e molhar os pés na água”, aos 34 anos.

Depois de planear a ida, apanhou dois autocarros até chegar à praia que ficaria a uma hora de distância… chegou ao pé do mar e olhou para o oceano.. começou a sentir-se culpado porque com a sua pensão baixa não deveria ter gasto dinheiro nos dois autocarros… mas rapidamente reflectiu “Ok, eu gasto muito mais dinheiro quando estou em mania”… de certa forma “Senti-me mal e não queria estar mais lá”, admitiu. Nesse momento Joe pode não ter sentido a areia entre os seus dedos dos pés mas depois de tudo ele considerou que essa ida à praia foi um ponto de viragem.

“Foi um passo de bebé”, refere. “Eu fiz algo hoje… talvez amanhã possa fazer um pouco mais”.

O que praticamente define a teoria do “bom o suficiente” é a ideia de que as pessoas não têm de ir à procura de um objectivo.

“Você quer sair da depressão, mas pretende fazê-lo peça por peça”

Explica Kathleen McNulty terapeuta da área de LCSW.

Em termos práticos, ela explica que em vez de ser uma caminhada longa é, sim, uma caminhada por blocos; em vez de começar a plantar uma horta, comece por plantar manjericão, apenas. Se está demasiadamente deprimido para escovar os dentes, bocheche água, apenas. Quanto mais se acumulam experiências “suficientemente boas” mais rápido se encontra o fluxo diário do dia-a-dia para sair da depressão”, refere McNulty.

Segurando as rédeas…
Quando o psicólogo de Amy lhe disse que ela estaria a entrar num estado de evitamento significativo, ela sentiu-se envergonhada e ofendida. Mas foi essa mesma percepção que se revelou numa evolução positiva da terapia juntamente com a medicação, que a tirou da depressão em que estava há 18 meses.

Amy, vive em British Columbia, e refere que já não estava a conseguir lidar com situações stressantes que ocorriam na sua vida pessoal e laboral, referindo “Fui encorajado pela sua explicação porque consegui ver que tinha uma escolha”, recorda Amy de 37 anos. “As pessoas têm de decidir colocar-se num estado mental diferente. E não podem fazê-lo, a menos que já estejam a ser acompanhadas”.

De acordo com Virginia, terapeuta da Ted Petrocci (LPC) a melhor maneira de alcançar esse estado é reconhecer e aceitar as coisas tal como são – e que não estão sob o seu controlo, “e maioria não está mesmo”, acrescenta.

Para que se promova a recuperação o foco tem de estar naquilo que podemos controlar. Algo tão simples como mudar o que dizemos para nós mesmos pode ser surpreendentemente poderoso na nossa mudança de perspectivas.

Palavras como “sempre”, “nunca”, “deverias”, “deves” em frases como “Eu nunca vou ficar melhor” ou “A minha vida vai ser sempre assim” poderá manter-nos presos num lugar onde nos sentimos impotentes para mudar, refere Petrocci.

“Essas palavras fazem parte do seu sistema de crenças e afectam a forma como nós respondemos emocionalmente”, explica Petrocci, acrescentando “Esse sistema define o seu corpo e mente e contribui para uma espiral de impotência”, considerando que o “deveria” define-nos preparando-nos para o fracasso, uma vez que “poderia” implicar que tenhamos mais opções, por exemplo.

A transição para um vocabulário interno com menos limites poderá levar algum tempo, refere Petrocci, uma vez que os padrões de pensamento se foram desenvolvendo durante anos. Petrucci sugere uma tarefa simples, como escrever uma ou duas palavras logo de manhã que evidenciem “certeza” e anotar ao longo do dia quantas vezes usou essas mesmas palavras, “quanto mais praticamos, mais depressa chegamos a ela”.

É importante lembrar que a procura pela mudança não tem de ser feita sozinha mas, pelo contrário, é um verdadeiro sinal de força deixar que os outros nos dêem uma “mãozinha” e um pouco de força.

Marisa tem 29 anos, vive no Quebec, e trabalhou como voluntária na criação de um conteúdo online para o Combate ao Estigma no Canada. Durante um episódio depressivo que durou alguns meses, Marisa criou um grupo de auto-ajuda online juntamente com a sua terapeuta.

“O meu marido, os meus amigos e a minha terapeuta são como bóias no oceano”, refere Marisa no seu blogue “Lamento de uma rapariga doida”, acrescentando “Eles continuam a ajudar-me a saber que não vou estar perdida no mar.. para sempre!”.

Algumas Dicas…
A recuperação da doença bipolar é feita com trabalho em equipa. Deverá trabalhar em conjunto com o seu médico assistente para o ajuste da medicação actual. A terapia cognitivo comportamental e outras abordagens psicoterapêuticas podem ser cruciais na abordagem a questões subjacentes a padrões que alimentam os episódios depressivos.

  • Grupos de Auto-Ajuda – partilha de experiências entre pessoas que têm o mesmo diagnóstico;
  • Aceitar onde estamos – “Não se sinta culpado por não ser capaz de tomar banho”, refere Amy da British Columbia. “É preciso lembrar que você pode ser feliz. Deixe a depressão prá trás, ela vai acabar por passar se você tiver a ajuda certa”;
  • Tenha esperança – com fé e com espírito positivo as coisas acabarão por melhorar. Fustigada pela depressão bipolar, Joe de New Jersey, não desistiu mesmo quando esteve sem casa durante 2 meses. “Você pode não conseguir ter sempre um olhar de esperança porque poderá precisar da “lupa” para o encontrar” refere e acrescenta “Mas essa lupa está nalgum lugar!”.
  • Mantenha o foco – Meghan, do estado de Arizona, melhorou quando deixou que os membros da sua empresa soubessem quando é que ele precisava de ajuda, mesmo que fosse por telefone, e refere “Alguns dias quando é fácil isolar-me eu certifico-me que pelo menos posso contar com uma pessoa. Eu digo que não me sinto bem e que só quero falar com alguém ou apenas ouvir alguém falar. Faz-me sentir como se eu não estivesse sozinha”.

Qual é a depressão?
Durante os últimos anos, o campo da psiquiatria começou a reconhecer a importância da fase depressiva na Patologia Bipolar. O desafio agora é distinguir a depressão unipolar da depressão bipolar, de forma mais célere, para que o tratamento seja o mais eficaz.

O espectro da patologia depressiva e bipolar é agrupado nas Patologias do Humor, segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V). Os médicos utilizam um conjunto de critérios (que incluem os sintomas) para diagnosticar a perturbação bipolar e depressiva.

Se uma pessoa procura ajuda porque se sente deprimida para se chegar a um diagnóstico de patologia bipolar correctamente depende, obviamente, da análise clara de sintomas que se enquadram numa hipomania ou numa mania; esta análise pode ser mais bem-sucedida quando um familiar próximo é ouvido e partilha o historial do seu parente.

A investigação trouxe alguns avanços mas longe de serem claros. Quando a depressão surge precocemente na vida de uma pessoa ou associada a uma gravidez, há uma maior probabilidade de que venham a fazer parte de uma perturbação bipolar.

Os sintomas psicóticos são fortes marcadores clínicos, refere James Phelps, médico psiquiatra na Samaritan Mental Health – Corvallis em Oregon.

Algumas evidências clínicas sugerem que os sintomas depressivos atípicos – em vez da típica insónia, aumento ou perda do apetite, aumento da sensibilidade à rejeição – podem ser mais recorrentes na perturbação bipolar.

A depressão bipolar torna-se muitas vezes resistente à medicação, especialmente quando são prescritos antidepressivos devido a erros no diagnóstico. Em alguns casos, tomar um antidepressivo sem um estabilizador do humor, pode procurar uma viragem do humor, consequentemente uma mudança para um estado de hipomania ou mania, ou a ciclos rápidos, em que ambos os sintomas ocorrem em simultâneo.

No futuro, esperasse que a patologia bipolar pode ser diagnosticada com base em marcadores fisiológicos que podem ser rapidamente observados no sangue ou no cérebro. Na elaboração de um projecto na Clínica Mayo, em Minnesota estão a ser recolhidas amostras de DNA, amostras de sangue, exames cerebrais e outros dados clínicos que em conjunto se espera que se chegue à identificação de bio marcadores que identifiquem uma depressão bipolar vs uma depressão major.

Estudos de Neuroimagem realizados na Universidade de Pittsburgh no Centro Médico e noutros locais, estão a tentar alcançar o mesmo objectivo.

Um pequeno estudo realizado por investigadores chineses, publicado online no Jornal of Proteome Research revelaram revela resultados promissores com base nas variações de metabolitos encontrados na urina de pessoas com diferentes diagnósticos.

Contudo, ao mesmo tempo, alguns estudos têm identificado algumas inter-relações genéticas entre as principais perturbações mentais. Está de acordo com um novo modelo utilizado na investigação em psiquiatria que se baseia numa abrangente “abordagem dimensional” – que tem em conta a matriz e a gravidade dos sintomas de um indivíduo em vez de se cingir apenas aos critérios de diagnóstico.

“Através do uso de um olhar dimensional e do olhar clínico do DSM podemos ver toda a gama de variações da depressão”, explica Phelps. “Esta é uma mudança de perspectiva no processo de diagnosticar”.

Escrito por: Escrito por Robin L. Flanigan
Fonte: http://www.bphope.com/bipolar-depression-letting-the-light-in




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